| O câncer de mama é provavelmente o mais
temido pelas mulheres, devido à sua alta freqüência e sobretudo pelos
seus efeitos psicológicos, que afetam a percepção da sexualidade e a
própria imagem pessoal. Ele é relativamente raro antes dos 35 anos de
idade, mas acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e
progressivamente.
Este tipo de câncer representa nos
países ocidentais uma das principais causas de morte em mulheres. As
estatísticas indicam o aumento de sua freqüência tantos nos países
desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento. Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), nas décadas de 60 e 70 registrou-se
um aumento de 10 vezes nas taxas de incidência ajustadas por idade nos
Registros de Câncer de Base Populacional de diversos continentes.
No Brasil, o câncer de mama é o que mais causa mortes entre as mulheres. De acordo com a Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil para 2006, o câncer de mama será o segundo mais incidente, com 48.930 casos.
Sintomas Os
sintomas do câncer de mama palpável são o nódulo ou tumor no seio,
acompanhado ou não de dor mamária. Podem surgir alterações na pele que
recobre a mama, como abaulamentos ou retrações ou um aspecto semelhante
a casca de uma laranja. Podem também surgir nódulos palpáveis na axila.
Fatores de Risco História
familiar é um importante fator de risco para o câncer de mama,
especialmente se um ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmã)
foram acometidas antes dos 50 anos de idade. Entretanto, o câncer de
mama de caráter familiar corresponde a aproximadamente 10% do total de
casos de cânceres de mama. A idade constitui um outro importante fator
de risco, havendo um aumento rápido da incidência com o aumento da
idade. A menarca precoce (idade da primeira menstruação), a menopausa
tardia (instalada após os 50 anos de idade), a ocorrência da primeira
gravidez após os 30 anos e a nuliparidade (não ter tido filhos),
constituem também fatores de risco para o câncer de mama.
Ainda é controvertida a associação do
uso de contraceptivos orais com o aumento do risco para o câncer de
mama, apontando para certos subgrupos de mulheres como as que usaram
contraceptivos orais de dosagens elevadas de estrogênio, as que fizeram
uso da medicação por longo período e as que usaram anticoncepcional em
idade precoce, antes da primeira gravidez.
A ingestão regular de álcool, mesmo
que em quantidade moderada, é identificada como fator de risco para o
câncer de mama, assim como a exposição a radiações ionizantes em idade
inferior a 35 anos.
Detecção Precoce As formas mais eficazes para detecção precoce do câncer de mama são o exame clínico da mama e a mamografia.
O Exame Clínico das Mamas (ECM) Quando
realizado por um médico ou enfermeira treinados, pode detectar tumor de
até 1 (um) centímetro, se superficial. O Exame Clínico das Mamas deve
ser realizado conforme as recomendações técnicas do Consenso para Controle do Câncer de Mama.
A sensibilidade do ECM varia de 57% a
83% em mulheres com idade entre 50 e 59 anos, e em torno de 71% nas que
estão entre 40 e 49 anos. A especificidade varia de 88% a 96% em
mulheres com idade entre 50 e 59 e entre 71% a 84% nas que estão entre
40 e 49 anos.
A Mamografia A
mamografia é a radiografia da mama que permite a detecção precoce do
câncer, por ser capaz de mostrar lesões em fase inicial, muito pequenas
(de milímetros).
É realizada em um aparelho de raio X
apropriado, chamado mamógrafo. Nele, a mama é comprimida de forma a
fornecer melhores imagens, e, portanto, melhor capacidade de
diagnóstico. O desconforto provocado é discreto e suportável.
Estudos sobre a efetividade da
mamografia sempre utilizam o exame clínico como exame adicional, o que
torna difícil distinguir a sensibilidade do método como estratégia
isolada de rastreamento.
A sensibilidade varia de 46% a 88% e
depende de fatores tais como: tamanho e localização da lesão, densidade
do tecido mamário (mulheres mais jovens apresentam mamas mais densas),
qualidade dos recursos técnicos e habilidade de interpretação do
radiologista. A especificidade varia entre 82%, e 99% e é igualmente
dependente da qualidade do exame.
Os resultados de ensaios clínicos
randomizados que comparam a mortalidade em mulheres convidadas para
rastreamento mamográfico com mulheres não submetidas a nenhuma
intervenção são favoráveis ao uso da mamografia como método de detecção
precoce capaz de reduzir a mortalidade por câncer de mama. As
conclusões de estudos de meta-análise demonstram que os benefícios do
uso da mamografia se referem, principalmente, a cerca de 30% de
diminuição da mortalidade em mulheres acima dos 50 anos, depois de sete
a nove anos de implementação de ações organizadas de rastreamento.
O Auto-Exame das Mamas O INCA
não estimula o auto-exame das mamas como estratégia isolada de detecção
precoce do câncer de mama. A recomendação é que o exame das mamas pela
própria mulher faça parte das ações de educação para a saúde que
contemplem o conhecimento do próprio corpo.
As evidências científicas sugerem que
o auto-exame das mamas não é eficiente para o rastreamento e não
contribui para a redução da mortalidade por câncer de mama. Além
disso, o auto-exame das mamas traz consigo conseqüências negativas,
como aumento do número de biópsias de lesões benignas, falsa sensação
de segurança nos exames falsamente negativos e impacto psicológico
negativo nos exames falsamente positivos.
Portanto,
o exame das mamas realizado pela própria mulher não substitui o exame
físico realizado por profissional de saúde (médico ou enfermeiro)
qualificado para essa atividade.
As Recomendações do Instituto Nacional de Câncer Em Novembro
de 2003, foi realizada a "Oficina de Trabalho para Elaboração de
Recomendações ao Programa Nacional de Controle do Câncer de Mama",
organizada pelo Ministério da Saúde, através do Instituto Nacional de
Câncer e da Área Técnica da Saúde da Mulher, com o apoios das
Sociedades Científicas afins e participação de gestores estaduais,
ONG's e OG's.
A
partir dessa Oficina foi desenvolvido um Documento de Consenso para
Controle do Câncer de Mama, publicado em 2004, que contém as
principais recomendações técnicas referentes à detecção precoce, ao
tratamento e aos cuidados paliativos em câncer de mama, no
Brasil. Confira as novas recomendações em Publicações.
Consulte a publicação Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil para 2006
fonte:http://www.inca.gov.br/ |